A depressão e suas consequências – depressão

A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

 

 

A humanidade vive em constantes mudanças tecnológica e cultural que podem ser afetadas em diversos aspectos e por fatores individuais dentro de uma população. Algumas pessoas sofrem com doenças silenciosas, que não aparentam ser graves, mas, na verdade acabam por se mostrar graves distúrbios que proporcionam, além do mal para a saúde, baixo rendimento profissional, pessoal e, às vezes, exclusão social como as principais consequências. A depressão é um exemplo de doença que afeta tanto a pessoa em particular quanto a sociedade.
Diante disso, existe uma relação negativa direta entre a depressão e o progresso da civilização, pois não há como haver crescimento geral sem antes pensar no individual. As pessoas que sofrem com essa doença tendem a produzir menos, isolar-se do coletivo, afastar-se do convívio de familiares e amigos e, consequentemente, viver com baixa perspectiva de vida, proporcionando para os outros uma imagem negativa e sem possibilidades de mudança. Além do risco de suicídio que acompanha esse mau que, por muitas vezes, é considerado apenas um momento ruim e não recebe o devido e essencial acompanhamento prévio que sem dúvida seria um diferencial no tratamento da doença.
Esse fato gera para a sociedade um prejuízo que não pode ser desconsiderado, um problema de saúde pública que tem como consequência a desaceleração do crescimento, a escassez de recursos essenciais para a evolução como, por exemplo, uma mente pensante, produtiva e atuante no mercado de trabalho que em virtude da depressão não oferece mais tanto quanto antes. Essas pessoas se deparam com dificuldades para enfrentar essa perturbação, pois é uma doença que afeta a vida social, a estima, produtividade, capacidade de interagir com outros e, principalmente, a estima, por não se considerar capaz de oferecer benefícios como antes.
Diante desse fato, considera-se essencial a intervenção do poder público criando meios para dar a assistência adequada aos que necessitam. Proporcionando-lhes, assim, a oportunidade de reestruturação social e profissional, beneficiando diretamente a sociedade que receberia novamente trabalhadores com perspectiva de vida e autoestima melhores que são dois fatores relevantes para a construção de uma civilização sólida, confiante e bem estruturada.

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OS SINTOMAS MAIS FREQUENTES DA DEPRESSÃO NO TRABALHO.

A depressão e suas consequências - depressão e seus impactos
A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

Muito se fala sobre a importância de cuidar da saúde mental e suas principais doenças – como a ansiedade e depressão. Mas, ainda assim existem alguns tabus em torno dessas questões, especialmente quando se trata de falar sobre a depressão.

Para contribuir com a desmistificação deste assunto e assim, auxiliar as pessoas a entender o que é a depressão, seus sintomas e como tratá-la, preparamos este artigo. Quer saber mais? Continue a leitura!

O que é depressão e quais as suas possíveis causas?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a depressão é um transtorno mental que pode ser identificado por características como:

➥ Mudanças no humor
➥ Oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima
➥ Perda de interesse em realizar atividades cotidianas que antes eram prazerosas
➥ Perda de prazer
➥ Distúrbios do sono ou de apetite.
➥ Mas, o que causa a depressão? Muitas pessoas procuram a resposta pra essa pergunta mas a verdade é que não há ➥ um gatilho único que possa causar depressão.

A depressão pode ser ocasionada por diversos fatores biológicos e psicológicos, inclusive pode ser até mesmo de ordem hereditária. O que se sabe é que ela se inicia com um episódio de grande estresse, porém, mesmo depois da resolução do problema, o enfermo continua sentindo os sintomas.

No Brasil, a depressão no trabalho tem sido um problema bastante sério. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 11,5 milhões de brasileiros sofrem de depressão e é o país com maior prevalência desta doença na América Latina.

A depressão é um questão que tem chamado cada vez mais atenção pois tem se tornado uma doença bastante comum em vários países e isso tem deixado a OMS em alerta.          A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

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Alguns dados sobre a depressão.

Novamente de acordo com a Organização Mundial da Saúde a depressão é a principal causa de doenças e deficiências no mundo inteiro. Atualmente há mais de 300 milhões de pessoas que vivem com a patologia.

Outro problema que a entidade aponta é o não reconhecimento da depressão como uma doença. Muitas vezes, a depressão é encarada como um estado passageiro de tristeza e isso dificulta a busca por ajuda médica por quem demonstra os sintomas. Quem sofre com depressão se sente inseguro para pedir ajuda e isso só faz com que a doença se agrave cada vez mais.

Além disso, o investimento em políticas públicas voltadas para o tratamento de doenças como a depressão é relativamente baixo. Na América, a estimativa é de 2% do orçamento da saúde é destinado ao tratamento destas doenças.

A depressão no ambiente de trabalho: como lidar?

Fica a reflexão para os proprietários, gestores e líderes de organizações empresariais: como se comportar em relação a esse cenário tão delicado e em constante crescimento?

Situações adversas no trabalho podem ter grande influência no quadro depressivo. Uma das possíveis causas da depressão relacionada ao ambiente profissional diz respeito a desempenhar uma tarefa da qual o colaborador não se sente preparado ou capaz de atender a demanda.

O primeiro passo é compreender que a depressão é uma doença e que seus funcionários podem tê-la e que você deve respeitá-los assim como respeita quem não tem. Pronto? Após isso, é essencial conversar com áreas como recursos humanos e treinamento e desenvolvimento de pessoas, pois estas devem construir um plano que inclua assistência para colaboradores com depressão. Esse planejamento deve considerar:

➥ Ações para manter números positivos da qualidade de vida no trabalho
➥ Avaliação constante do ambiente físico de trabalho
➥ Aplicação e constante avaliação da cultura organizacional
➥ Incentivo e prática de autofeedback e feedback 360°
➥ Treinamento e desenvolvimento de funcionários com cursos, formações, especializações e mais
➥ Plano de saúde para todos que inclua especialidades como terapia, psicologia e psiquiatria
➥ Apoio para buscar ajuda profissional caso seja preciso
➥ Respeito com o funcionário que está em tratamento

Alguns casos de pessoas com depressão.

É importante lembrar que nem somente as pessoas que apresentam alguns dos sintomas acima com frequência que sofrem de depressão. É possível que indivíduos que não demonstram tristeza aparente também tenham a doença. Conheça alguns casos de famosos:

O ex-nadador e maior medalhista olímpico Michael Phelps revelou ter sofrido depressão chegando a pensar até em suicídio. Segundo ele, uma das piores fases da doença aconteceu após ganhar 6 medalhas nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.
A cantora e atriz Barbra Streisand também já revelou ter sofrido com transtornos mentais. O caso dela se manifestava como síndrome do pânico.
o ator Jim Carrey é conhecido principalmente por seus papéis de comédia, porém ele já afirmou ter sofrido com depressão e ter tomada o remédio Prozac como parte do tratamento.
Outro comediante famoso é Robin Williams que, apesar de fazer muitas pessoas sorrirem, ele sofreu com décadas de depressão ocasionando seu suicídio em 2014.
Agora que você já conhece um pouco mais sobre a depressão já pode ficar mais atento às pessoas que convivem ao seu redor. Além disso, pode prestar mais atenção a você mesmo, afinal ninguém está imune a essa doença. Cuidar-se é essencial e não egoísta!

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A depressão e suas consequências - depressão e seus impactos
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Atualmente, o termo “depressão” tem se igualado à noção de tristeza e pouco se entende sobre seu fator social, já que as tendências da psiquiatria abordam a doença a partir de um ponto de vista biológico e individual

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), calcula-se que a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, que cerca de 800.000 pessoas se suicidam a cada ano, que 78% dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda, e que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

A depressão inclui sintomas como perda do sentido da vida, inibição, desesperança, sentimentos de vazio, infelicidade, um mal estar indefinível e generalizado, desinteresse pelo cuidado pessoal e por atividades que antes eram gratificantes, insônia ou hipersônia, fatiga ou perda de energia, dores de cabeça, transtornos alimentares, diminuição do desejo sexual, dificuldade de raciocínio e concentração, ansiedade, sentimentos de culpa, inutilidade e de um profundo e incontrolável sofrimento.            A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

Algumas de suas consequências são o abandono do trabalho ou dos estudos, conflitos conjugais e/ou familiares, alcoolismo e dependência de drogas; do mesmo modo, a depressão não equivale a suicídio, mas este é uma possibilidade em casos graves. O nível depressivo – leve, moderado ou grave – dependerá do histórico psíquico de cada sujeito e dos recursos com os quais possa contar, como as redes de apoio de familiares e amigos.

No México, os índices de suicídio aumentaram catastroficamente, já que no ano de 1994 foram registrados 2.603 suicídios, e em 2016 estes números cresceram aproximadamente 200%, com 6.370 suicídios registrados. De acordo com dados do órgão mexicano Instituto Nacional de Estadística y Geografía (INEGI 2017), 41,3% destas mortes correspondem a jovens de 15 a 29 anos e 3,7% correspondem a adolescentes de 10 a 14 anos de idade.

Além disso, é importante destacar que 8 a cada 10 suicídios no México foram cometidos no interior de domicílios particulares (76,2%), segundo dados do INEGI.

O tabu da depressão e seu fator social.

Parece um paradoxo que, por um lado, o termo “depressão” seja cada vez mais utilizado e igualado à tristeza ocasional, mas por outro siga sendo um tabu que “deve” ser enfrentado em segredo e de maneira individual – como se sua aparição fosse um traço unicamente individual! Tal tabu transforma a depressão em sinônimo de suicídio, o que se torna um risco para os que dela padecem e são vistos com empatia.

No entanto, não é coincidência que a depressão e suas consequências, como o suicídio, tenham se transformado em uma das principais “doenças do século 21” e uma das principais causas de morte – ou que será num futuro próximo –, em especial para um amplo setor da juventude trabalhadora que vê quebradas suas esperanças de ter uma vida digna, já que as condições de trabalho em que os jovens se inserem a cada dia são mais golpeadas.

A depressão tem múltiplos elementos que não podem ser generalizados porque dependem de cada sujeito, como seu histórico familiar e psíquico; contudo, o fator social é determinante no seu desencadeamento e permanência. Como explica Ana María Fernandez em seu livro Jóvenes de vidas grises (“Jovens com vidas cinzas”), não se pode isolar o contexto social que impossibilita à juventude um planejamento de seu futuro, como têm feito as economias neoliberais que instituem na subjetividade uma quebra de esperança coletiva, o que corresponde a “toda uma estratégia biopolítica de vulnerabilização”.

Tais condições não podem ser explicadas sem se compreender o modo de produção capitalista que a cada dia é mais voraz, que busca aumentar seus lucros precarizando e empobrecendo a vida da classe trabalhadora de conjunto – somente no México há mais de 50 milhões de pessoas em situação de pobreza. E é neste cenário que a juventude se insere num mundo competitivo e a cada vez mais individualista – este setor representa um amplo exército de reserva no mundo do trabalho e enfrenta cada vez maiores dificuldades para estudar, já que possui as piores condições de trabalho e menos de 15% dos que prestam vestibulares para a universidade têm acesso à educação.

O transtorno depressivo e seu crescimento brutal parecem mais ser um sintoma de uma época que reflete a pouca esperança em relação ao futuro, causada pelas condições cada vez mais insustentáveis nas quais vive a classe trabalhadora. Não é de se espantar que este setor sinta um profundo desânimo e tenda à depressão crônica ou ao suicídio.

Como mostram os dados, a maioria dos suicídios ocorre no âmbito privado, mas também existem casos em que claramente se nota o determinante social, como aconteceu em 2012 com Dimitris Christoulas, o aposentado de 77 anos que se suicidou em frente ao parlamento grego. Em parte da carta encontrada nos bolsos do idoso que pôs fim à sua vida, se lia:

“O Governo de Tsolakoglou aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, que se baseava em uma pensão de aposentadoria muito digna que eu havia pagado por conta própria sem nenhuma ajuda do Estado durante 35 anos. E, dado que minha idade avançada não me permite reagir de outra maneira (ainda que, se um compatriota grego sacasse um kalashnikov [tipo de fuzil], eu o apoiaria), não vejo outra solução que não seja pôr fim à minha vida desta forma digna para que não tenha que acabar revirando lixeiras para poder sobreviver. Creio que os jovens sem futuro algum dia sacarão as armas e as apontarão boca abaixo aos traidores deste país na praça Syntagma, como os italianos fizeram com Mussollini em 1945.”

O capitalismo mostra a mais profunda barbárie contra o conjunto da classe trabalhadora a nível internacional. Por tal razão, dizemos: nossas vidas valem mais que seus lucros!

Sobre a individualização da depressão e a saída realmente necessária.

A depressão e suas consequências - depressão e seus impactos
A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

Dentro do modelo hegemônico da psiquiatria, a depressão é encarada a partir do ponto de vista biológico, individual, a-histórico e associal, que pressupõe uma alteração bioquímica no cérebro, como o desequilíbrio dos neurotransmissores serotonina e norepinefrina.

Esta concepção contribui para que quem sofre desta doença não identifique claramente o que se passa, sofra em silêncio e se isole do mundo externo; além disso, fortalece a ideia de que seja um problema individual, e não social.

No geral, o tratamento para essa problemática consiste na medicação prescrita em um discurso individual e que garante os lucros da indústria farmacêutica. Estas medidas apenas buscam tapar o sol com a peneira e dão uma solução paliativa para os sintomas, mas não chegam à raiz do problema. Cada vez é mais frequente a medicação em idade precoce, seja em quadros infantis de depressão, insônia ou “hiperatividade”, o que faz com que os sujeitos sejam transformados em seres dóceis e produtivos. Se a pergunta é como a medicação beneficia o capitalismo…aí está a resposta.

É necessário construir e fortalecer os laços familiares e sociais que se veem fragilizados pela competitividade, como podem ser os laços de solidariedade entre os(as) trabalhadores(as), para que os sujeitos estejam melhor armados anímica e psiquicamente para enfrentar estas condições. Qualquer solução que não busque a transformação radical da sociedade será impotente, frente à problemática que se desencadeia a partir da precarização da vida e que nos arranca o desejo e o sentido de viver.

A Depressão Como Causa de Afastamento do Trabalho.

O termo “depressão” popularizou-se muito nos últimos anos. Contudo, seu verdadeiro significado é desconhecido pela maioria das pessoas que o empregam. Encarada por muitos como uma mera sensação passageira, quase sempre ligada à tristeza, a depressão é, na verdade, uma doença, associada a fatores emocionais, ambientais, relacionais e sociais, com certo grau de importância em sua gravidade, porém ainda não totalmente esclarecida até mesmo por especialistas.            A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

A utilização do vocábulo depressão já vem sendo percebida há muito tempo. Esta palavra começa a figurar nos dicionários médicos em 1860, sendo amplamente aceito e utilizado num primeiro momento, reduzindo cada vez mais o uso do termo melancolia, que na época era muito empregado para sugerir tristeza e aspectos similares à depressão. Na atualidade, é possível observar nitidamente um grande número de pessoas que apresentam traços significativos de depressão, ou que ao menos conhecem outras pessoas que denotam o mesmo conjunto sintomático.

A característica mais comum da depressão provavelmente é a tristeza, por isso é difícil num primeiro momento diferenciar uma apatia normal de uma doença de seriedade comprovada, o que deve ser analisado com cautela, com a ajuda de profissionais da área. Cabe à sociedade como um todo, e, sobretudo aos educadores, conhecer os sintomas e possíveis consequências deste transtorno, pois é dever destes estar bem informados sobre assuntos atuais e relevantes, uma vez que além de serem formadores de opinião, estão sempre em contato com transtornos de cunho emocional e devem saber lidar com o assunto da melhor maneira possível.

A doença habitualmente surge diante de eventos estressantes, perturbadores ou até por mudanças repentinas e drásticas, necessitando de um diagnóstico rápido e preciso. Quando não diagnosticada, diagnosticada erroneamente, ou tratada com preconceito, pode causar danos sensíveis à qualidade de vida, uma vez que a problemática atinge um contexto social amplo, pois são afetados: a própria vítima, os familiares, os amigos e a sociedade, em geral. Este cenário configura o suficiente para justificar-se o interesse pela história, evolução, estudo e tratamento do transtorno em questão.

Sendo assim, o presente estudo enfatiza a importância do esclarecimento da hipótese acima levantada, bem como objetiva investigar os fatos facilitadores à obtenção de sintomas ligados ao quadro depressivo, no âmbito da Polícia Militar do Distrito Federal; investigar os conceitos, causas e consequências da depressão em adultos trabalhadores; discutir e analisar os fatores causadores das doenças que afetam o estado emocional dos Policiais Militares do Distrito Federal; analisar os possíveis prejuízos causados à saúde dos Policiais Militares em questão, assim como à população como um todo; investigar o que tem sido feito para solucionar os problemas de saúde agregados a esse assunto e propor soluções e medidas atenuantes para as situações observadas.

A visão aqui defendida supõe que o local de trabalho por si só já é um foco de dificuldades que podem acarretar a obtenção de sintomas ligados à depressão, independentemente da área analisada. Além disso, nota-se que quanto maior o nível de ansiedade e problemas a que tais trabalhadores forem expostos, como o ambiente Policial Militar, por exemplo, maiores serão as chances de se obter tais sintomas. Por este motivo, o presente estudo objetiva, ainda, identificar como a organização Policial Militar se estrutura, buscando relacioná-la com a saúde mental.

A Depressão: Conceito, Causas e Sintomas.

Na área médica, o termo depressão tem sido empregado com vários significados e ao longo do tempo perdeu parte de seu valor semântico original. As muitas reações emocionais, como perdas, sentimentos de angústia, sofrimento e tristeza, tem sido associadas e confundidas com depressão (ZORZETTO FILHO, 1999, p. 5). A depressão é uma doença conhecida desde os tempos mais remotos da humanidade. Há séculos são observados registros em todas as culturas do mundo, com denominações variadas, mas com descrições bastante semelhantes. Mesmo com os grandes avanços nessa área e a modernização no tratamento dessa doença, é notado que não se trata de um quadro plenamente esclarecido, pois existem muitas controvérsias sobre o diagnóstico do transtorno, os limites entre tristeza e apatia normais e patológicas, os fatores determinantes, os neurotransmissores envolvidos, aspectos psicodinâmicos, culturais e religiosos, entre outros.

O termo depressão tem sido empregado tanto para designar um estado afetivo normal quanto para elencar algumas doenças e seus sintomas. Enquanto sintoma, a depressão pode aparecer em vários quadros clínicos, como transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia e alcoolismo, entre várias outras doenças. Pode, também, advir como resposta a situações estressantes ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas e inesperadas. Quando no papel de síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor, mas características próprias, como sintomas orgânicos (constipação, dores de cabeça, dificuldade digestiva, desordem hormonal, boca ressecada e perda de peso), cognitivos, psicomotores e vegetativos (ZORZETTO FILHO, 1999, p.5). Observa-se, atualmente, um grande número de livros, revistas e artigos científicos que abordam este tema. A depressão, devido à gravidade, tendência, recorrência e alto custo para o indivíduo e a sociedade, como qualquer condição médica significativa, necessita ser diagnosticada e tratada apropriadamente.

É de suma importância ressaltar que ninguém está imune a adquirir sintomas ligados à doença, por fatos que afetam negativamente a vida de todas as pessoas, como doenças ou perda de entes queridos, por exemplo. Porém, o que muitas pessoas ignoram é o fato de que ela pode transformar-se em uma síndrome clínica importante, acabando em patologia evidente, ou seja, doença estabelecida. Fisiopatologicamente, a depressão é causada por um problema nos neurotransmissores responsáveis pela produção de hormônios, como a serotonina e a endorfina, necessárias às sensações de prazer, conforto e bem estar. Os neurotransmissores são substâncias químicas, sintetizadas e liberadas pelos neurônios.

Os impulsos nervosos, para passarem de um neurônio para o outro, devem vencer um espaço existente entre eles, que é denominada de Fenda Sináptica. Para que os impulsos nervosos vençam esse espaço, o primeiro neurônio, através dos impulsos que chegam a sua terminação, libera os neurotransmissores (ANDRADE et al, 2002, p. 2). Múltiplos neurotransmissores estão envolvidos no processo ansiedade e/ou depressão, bem como na geração dos seus sinais, sobretudo na neurotransmissão serotonérgica e noradrenérgica, assim como os fatores ambientais e estressores psicossociais (situações de convivência social que podem gerar estresse, como, por exemplo, a relação chefe x subordinado) que permeiam a vida dos trabalhadores no ambiente profissional.

Neste ínterim, o indivíduo passa a apresentar sintomas significativos, como desânimo, tristeza, falta de energia para atividades simples, culpabilidade e nervosismo, entre outros. Além disso, havendo diminuição da serotonina, a pessoa pode ter uma tendência ao ganho de peso, o que leva a outro problema entre muitos indivíduos depressivos: a baixa autoestima (ANDRADE et al, 2002, p. 4).

Com isso, nota-se a magnitude do problema, quando esta doença já se encontra estabelecida. Por esse motivo, é necessário tratamento medicamentoso, visto que o quadro clínico provavelmente não é revertido sem a administração de substâncias específicas para esse fim.

A ação de tais substâncias no organismo promove o aumento de neurotransmissores na Fenda Sináptica, que pode acontecer através do bloqueio da recaptação desses neurotransmissores no neurônio pré-sináptico, ou ainda através da inibição da Monoaminaoxidase, enzima responsável pela inativação destes neurotransmissores (ANDRADE et al, 2002, p. 4). É necessário salientar que o termo “cura” não é empregado no que tange ao tema ora apresentado.

Antes, porém, fala-se em “tratamento”, indicando a complexidade deste transtorno. O transtorno depressivo associa diversas das principais características de uma prioridade em saúde pública: é prevalente, altamente incapacitante, e, em termos gerais, de tratamento viável. Por outro lado, porém, a depressão recebe em nosso país investimentos não só insuficientes, mas frequentemente equivocados, fruto de uma ausência de políticas públicas de saúde para esse fim.
Esta enfermidade costuma aparecer entre 20 e 30 anos de idade, entretanto pode afetar crianças e adolescentes. As mulheres são mais suscetíveis à doença, por motivos ainda não esclarecidos (GOMES, 2008, p. 1). Assim como outros transtornos mentais, a depressão é caracterizada pela presença de muitos sintomas, que podem mudar ao longo do tempo, sendo que cada paciente pode apresentar variações na intensidade: leve, moderada ou grave (com ou sem sintomas psicóticos) e na quantidade de características da doença. Nota-se que “a avaliação dos sintomas para definir e diagnosticar a depressão é baseada em um juízo de valor, pois não existem sintomas patognomônicos ou pontos de corte categoriais nas medidas de depressão” (KENDELL 1988 apud ZORZETTO FILHO, 1999, p. 6). Trata-se de um estado emocional durável, sendo que a tristeza, mencionada anteriormente, não tem causa e motivos aparentes.

O indivíduo, além de sentir-se intensamente triste, não sabe ao certo o que a causou. Segundo a definição médica: A pessoa apresenta rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral a fadiga acentuada, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas de sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da autoestima e da autoconfiança e frequentemente ideias de culpabilidade e/ou indignidade, mesmo nas formas leves, problemas de sono e diminuição do apetite. Apresenta sintomas somáticos como perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes do habitual de despertar, lentidão psicomotora acentuada, agitação.          A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

Quando esses sentimentos são avaliados isoladamente, não diferem muito dos estados emocionais normalmente vividos pelos indivíduos diante das adversidades da vida. Porém, segundo, Entretanto, a intensidade e a profundidade do humor depressivo é tão insuportável que o desejo de morrer é sentido como uma possibilidade confortadora. A tristeza e os sentimentos associados permeiam todos os domínios da vida pessoal e comprometem o desempenho social do individuo. O humor depressivo pode durar tanto, que passa a ser percebido como um estado afetivo inalterável. Ele pode ocorrer espontaneamente, mas, mesmo quando desencadeado por alguma circunstancia de vida, desenvolve-se de forma autônoma, dissociado do acontecimento que o desencadeou, e resiste às tentativas feitas para mudá-lo.

Por estes motivos, é muito importante que o indivíduo acometido por sintomas semelhantes aos da depressão procure subsídio profissional rapidamente, pois quanto mais cedo iniciar-se o tratamento, melhores serão os resultados. Esta orientação é indicada para todas as enfermidades, contudo, mesmo com a depressão sendo reconhecidamente uma doença, estando, inclusive, elencada entre as doenças incapacitantes para o trabalho, existe um preconceito velado de toda a sociedade, e até mesmo do próprio paciente, em relação ao transtorno.

A Depressão no Ambiente de Trabalho.

A depressão e suas consequências - depressão e seus impactos
A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

A depressão é encarada com preconceito e desconfiança em vários ambientes, e no local de trabalho a situação permanece. O mal atinge indivíduos de todas as classes sociais, assim como trabalhadores do setor privado e do serviço público. Há de se ressaltar que, via de regra, o indivíduo passa a maior parte do seu tempo justamente nos respectivos locais de trabalho, em detrimento à família e aos momentos de lazer. Por isso, existe a necessidade de um ambiente favorável ao bom desenvolvimento do processo trabalhador-trabalho-produção. É comum que trabalhadores acometidos por este transtorno não procurem ajuda num primeiro momento.

Quase sempre procuram ajuda depois de um longo período de sofrimento, e evitam comentar sobre a doença com familiares e com colegas de profissão, criando, assim, um ambiente nada saudável nos locais de trabalho. Segundo Brant e Gomes (2008): É visível o esforço de alguns tentando fazer com que a expressão de tristeza adquira a fachada de bem-estar, evidenciando a fragilidade das estratégias para enfrentar as pressões. Outros tentam impedir que a manifestação da tristeza seja diagnosticada como doença- forma de evitar uma exclusão cercada de cuidados
Durante os séculos XVII à XIX, a psicologia preocupava-se principalmente com o conceito e classificação das doenças mentais, sendo que o tratamento destas era feito por meio da internação obrigatória de seus portadores, nos casos de desvios considerados atentados à ordem moral e social, Com isso, não era levado em consideração o sofrimento advindo da relação trabalhador-trabalho, nem suas possíveis causas. Várias enfermidades apresentam sintomas da depressão, o que muitas vezes faz com que especialistas de diversas áreas equivoquem-se no seu diagnóstico, chegando, às vezes, a prescrever medicamentos para tratá-las. Assim, é essencial examinar os aspectos ocupacionais (condições de trabalho e realização de tarefas), osteomusculares (incidência de patologias por atividades repetitivas ou de força), de saúde mental (desde estresse a transtornos graves), do uso de drogas ilícitas e consumo abusivo de álcool, além de outras doenças.

Quando não há um tratamento adequado, os sintomas tendem a aumentar em quantidade e incidência, prejudicando a qualidade de vida do paciente. Períodos de melhoria e agravamento são comuns, levando o paciente à falsa idéia de que está melhorando sozinho. O tratamento baseia-se, a princípio, na associação de psicoterapia e intervenção psicofarmacológica. Certamente, o trabalho proporciona transformações, reconhecimento e independência pessoal e profissional ao indivíduo trabalhador. Contudo, para que o trabalhador atinja o desempenho que dele é esperado, é necessário que este seja saudável, tenha satisfação e motivação.

O problema surge justamente quando o trabalho deixa de ser prazeroso, tornando-se foco de transtornos em geral, prejudicando o rendimento confiado ao indivíduo.  apresenta uma explicação para o que se passa na interface indivíduo-trabalho. Para ele, o trabalhador gerencia um conjunto de excitações internas e externas, que surgem das condições de trabalho.

As primeiras dizem respeito às excitações do indivíduo: instinto, pulsão, inveja e desejo, entre outras. A segunda diz respeito ao meio em que o sujeito se encontra: informações visuais, auditivas, táteis e outras. Quando se acumulam, essas excitações tornam-se o centro de uma tensão nervosa, que pode ser liberada pelas vias psíquicas, motora e visceral. A organização do trabalho ideal é justamente aquela que proporciona ao trabalhador o escoamento dessas tensões.

A saúde do trabalhador é um direito garantido constitucionalmente, protegido por normas gerais e específicas. Uma vez caracterizada a depressão como doença ocupacional, o trabalhador assegura seus direitos básicos, como auxílio-doença acidentário, auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez acidentária, pensão por morte aos dependentes, assim como estabilidade provisória, previstos no artigo 118 da Lei nº 8.213/91 (DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, 1991). Diante disso, deve-se examinar a possibilidade de o trabalhador estar ou não reprimido direta ou indiretamente por agressões psíquicas que podem desencadear ou agravar um quadro depressivo.

A doença já se encontra oficialmente elencada entre as doenças do trabalho, tendo como base de apoio o Anexo II, Agentes patogênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, do Regulamento da Previdência Social, previsto no art. 20 da lei nº 8.213, de 1991, alterado pelo Decreto nº 6.957, de 09 de setembro de 2009, no tocante à aplicação, acompanhamento e avaliação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP. Os trabalhadores acometidos por esta doença têm os seus direitos trabalhistas e previdenciários assegurados quando comprovam o nexo causal entre a doença e o trabalho.

É notório que as condições e o ambiente do trabalho podem ser responsáveis, em muitos casos, pelo aparecimento do quadro de depressão. Segundo Teixeira (2007): Sob o enfoque da psicologia, o trabalho provoca diferentes níveis de motivação e satisfação e, dependendo da forma e meio no qual o trabalhador executa suas atribuições dentro do contexto organizacional a que está inserido, o trabalho pode levar a um quadro de enfermidade. Ou seja, o mesmo trabalho que motiva e concretiza realizações pessoais e sociais, em contrapartida, também implica desgaste físico e/ou mental, com reflexos diretos na qualidade de vida.

A hipótese de o local de trabalho e das condições deste se tornarem um foco de doenças já existe há muito tempo. O final do século XVII marcou a história do conhecimento sobre as doenças do trabalho, pois em 1700 foi publicado o livro De Morbis Artificum Diatriba, do médico italiano Ramazzini, avaliado como o primeiro tratado sobre as Doenças dos Trabalhadores.

Estudos na área da psicopatologia do trabalho indicam que a depressão afeta profissionais de áreas diversas, englobando pessoas de todas as raças e idades. A ligação entre trabalho e adoecimento psíquico começou a ganhar visibilidade crescente quando houve um aumento considerável no número de casos de depressão e suicídio entre a população rural, associado ao uso indiscriminado de agrotóxicos e o número crescente de transtornos mentais entre trabalhadores que vivenciaram processos de reestruturação produtiva nos seus locais de trabalho (TEIXEIRA, 2007, p. 30). Informações atuais demonstram que o número de trabalhadores com problemas mentais vem aumentando bastante.
A depressão surge como a segunda doença no ranking de adoecimentos em geral e, em 10 anos, a Organização Mundial de Saúde estima que será a principal causa de incapacitação para o trabalho. Até hoje, as doenças osteomusculares, que afetam tendões e músculos, são as primeiras colocadas nesse ranking (FALCÃO, 2009, p. 16). Ultimamente, é percebida uma preocupação maior, porém ainda muito reduzida, em relação ao transtorno ora estudado, já sendo prevista, inclusive, uma epidemia silenciosa de depressão para muito breve, segundo médicos da área de saúde mental. Isto se deve ao fato de que enquanto outras doenças continuam sendo estudadas, a depressão é relegada a segundo plano, muitas vezes negligenciada, o que piora os quadros atuais, aumentando o números de doentes.            A depressão e suas consequências – depressão e seus impactos

Estudos atuais demonstram que o resultado final do processo trabalhador-depressão-trabalho é um prejuízo à economia dos países, pois o rendimento profissional é afetado, o que gera gastos maiores com o tratamento, contratação de novos empregados para substituírem os doentes, e a baixa produtividade do indivíduo, causados por faltas ao trabalho e dificuldade de concentração, entre outros fatores. No Brasil, o afastamento do emprego devido a transtornos mentais e comportamentais subiu de 612 casos em 2006 para 12.812 em 2008. Os transtornos psíquicos ocupam a terceira posição entre as causas de concessão de benefício, como o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez, o que custa cerca de R$ 35 bilhões anuais aos cofres públicos (FALCÃO, 2009, p. 16).

Nos Estados Unidos gasta-se o dobro, cerca de R$ 70 bilhões anuais. A mesma pesquisa, que entrevistou mil trabalhadores, mostrou que a depressão atingiu 10% dos entrevistados, onde 47% deles haviam se sentido eventualmente deprimidos (FALCÃO, 2009, p. 16). Adiciona-se a esta estatística as frequentes vítimas de assaltos no local de trabalho, como bancários e comerciantes, além de profissionais da área de educação e os que estão expostos a riscos frequentes, como os policiais. A coordenadora do Laboratório de Saúde do Trabalhador da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, Anadergh Barbosa Branco, alega que a depressão é o problema que mais afeta os trabalhadores.

Ela afirma que a mudança tecnológica, feita de uma forma bastante acelerada no Brasil, causou um grande impacto, somando a isso o fato de nos últimos anos a violência social ter crescido consideravelmente, interferindo de uma forma muito acentuada no rendimento profissional do trabalhador (BRANCO, 2007). Em estudo realizado pela mesma profissional, nota-se que o primeiro lugar em termos de afastamentos do trabalho, analisando-se todas as profissões, é ocupado pelas lesões, como fraturas e ferimentos. Analisando-se isoladamente as doenças mentais, observa-se que 46% destas correspondem a quadros depressivos e 17% a estresse, havendo, também, registros de desenvolvimento de fobias e síndromes, como a Síndrome do Pânico, além de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) (BRANCO, 2007).

Entretanto, mesmo diante desse preocupante panorama, o levantamento realizado pela Universidade de Brasília demonstrou que quase 99% dos benefícios concedidos pelo órgão previdenciário para trabalhadores com transtornos mentais foram considerados problemas pessoais dos trabalhadores, não relacionados com a profissão. A coordenadora da pesquisa concluiu que certas doenças e acidentes são mais comuns a alguns ramos, o que não é devidamente caracterizado pelo órgão previdenciário. Para a professora, os reais fatores estão sendo mascarados pois a maioria das licenças concedidas apresenta como causa do afastamento a vida particular de cada trabalhador (BRANCO, 2007).

Sob esse aspecto, a pesquisadora afirma: O problema é que na doença mental é difícil você pontuar o que causa o que. Sempre uma coisa leva a outra. Em muitas vezes, a depressão leva ao alcoolismo, e este vai agravar a depressão. Entre as principais dificuldades para prevenir as doenças mentais do trabalho estão os diagnósticos imprecisos dos médicos, tratamento deficitário e a dificuldade do próprio trabalhador em aceitar a doença (BRANCO, 2007)

A Depressão e a Polícia Militar do Distrito Federal.

Em termos práticos, a história da Polícia Militar confunde-se com a própria história do Brasil, visto que desde o período Imperial, durante o governo de D. Pedro I, os presidentes das províncias não dispunham de outros meios para manterem a ordem pública, o que mudou com a criação da Polícia Militar (SILVA; VIEIRA, 2008, p. 164). Enquanto Instituição, a Polícia Militar brasileira tem uma composição burocrática, com raízes no século XIX, cuja coerência vem sofrendo várias reconfigurações ao longo dos períodos. Mesmo com essas mudanças, o princípio de atuação se manteve, com o impedimento de quaisquer ideias de contestação social de grupos legais ou ilegais, contrários ao poder vigente da época. Isto delineia uma imagem que prima pela corporação militar, ao invés de priorizar a PM enquanto organização (SILVA; VIEIRA, 2008, p. 162).

Desde a sua criação, a Polícia Militar está estruturada em dois pilares fundamentais: a hierarquia e a disciplina, o que a torna uma organização complexa, com feixes de interesses que obstam a capacidade de resistência à mudança (SILVA; VIEIRA, 2008, p. 161) Porém, a atual conjuntura social do Brasil distingue-se dos tempos passados. Hoje, o papel da PM enquanto Instituição requer outras atitudes por parte de seus integrantes, sobretudo a de coibir o aumento da violência nas grandes cidades. Seguindo esta linha de raciocínio, Silva e Vieira (2008) expõem: Além disso, as sociedades contemporâneas se caracterizam por um descompasso crescente em relação às políticas públicas de cunho social e de infraestrutura. Ao se deparar com essa situação, os estudiosos da área de segurança pública chegam a questionar a eficiência da organização do trabalho que a PM brasileira emprega.

Nesse contexto, a percepção de insegurança pública torna-se visível e preocupante, para não dizer assustadora, nas grandes cidades (SILVA; VIEIRA, 2008, p. 162). Sobre o mesmo tema, Souza et al (2007) complementa: Essa intensificação da violência tem exigido políticas mais eficazes de segurança pública e acarretado uma sobrecarga física e emocional para os trabalhadores desse setor. Além de lidar com as pressões da sociedade por um policiamento eficiente, na realidade brasileira as precárias condições de trabalho interferem no desempenho desses profissionais, afetam sua saúde, geram desgaste, insatisfação e provocam estresse e sofrimento psíquico.

Estudos destacam que o policial lida com riscos reais e imaginários que são inerentes à profissão, que geram estresse e sofrimento, e mesmo quando imaginários podem desencadear respostas de alerta e levar à morte (SOUZA et al, 2007, p. 105). Estudo realizado por Silva e Vieira (2008) demonstra que o policial militar está no centro de uma conjugação de forças advindas da organização do trabalho, da precarização do trabalho e da sociedade contemporânea, marcada pela insegurança, o que torna a Polícia Militar uma área ainda mais afetada por males psíquicos, entre eles a depressão. O desassossego da população brasileira quanto à segurança pública é atualmente uma realidade nacional. Contudo, a questão da segurança pública é na maioria das vezes pensada tecnicamente, sem levar em conta a pessoa do policial (ANDRADE; SOUSA; MINAYO, 2009, p. 276).

Seguindo os pensamentos de Dejours (1992), nota-se que o aparelho psíquico aparece como a primeira vítima do sistema hierarquizado de comando. O corpo torna-se sem defesa, explorado, fragilizado pela privação de seu protetor natural, que é o aparelho mental. O resultado, portanto, é um corpo doente. Seguindo esta linha de raciocínio, Dejours (1992) afirma: Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do trabalho que os ignora.

Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-las mais conforme as suas necessidades fisiológicas e a seus desejos psicológicos- isso é, quando a relação homem-trabalho é bloqueada. (DEJOURS, 1992, p. 133). Dejours (1992) observa, ainda, que o indivíduo, quando está acometido por algumas doenças, sobretudo se elas advierem de um fundo emocional, tenta esconder o fato de todos, falando sobre o assunto esporadicamente, quase sempre após longas datas de sofrimento.
Em termos gerais, é observado preconceito/ignorância em relação a esses transtornos, e o mesmo se estende à PMDF. Alguns Policiais Militares do Distrito Federal destacam queixas em relação ao ambiente onde trabalham, que podem estar intimamente relacionadas à obtenção de sintomas que dizem respeito ao distúrbio depressivo. Entre elas, pode-se citar o próprio militarismo, visto por alguns especialistas atualmente como um sistema ultrapassado. A hierarquia e a disciplina, já citadas e pilares de tal Instituição, provavelmente não sejam condizentes com as evoluções naturais esperadas ao longo do tempo, que anseiam que o policial que atende diretamente a população passe a ser menos militar e mais técnico. Neste sentido, Dejours (1992) afirma: Mesmo as más condições do trabalho são, no conjunto, menos temíveis do que uma organização do trabalho rígida e imutável.

O sofrimento começa quando a relação homem-organização do trabalho está bloqueada: quando o trabalhador usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e de adaptação. Via de regra, quanto mais a organização do trabalho é rígida, mais a divisão do trabalho é acentuada, menos é o conteúdo significativo do trabalho e menores as possibilidades de mudá-lo. Correlativamente, o sofrimento aumenta (DEJOURS, 1992, p. 50). É importante ressaltar que o Brasil é o único país que concebe as atividades de polícia (prevenção e investigação) como funções disjuntivas, a ponto de necessitar de duas corporações díspares em estrutura, normas administrativas, regime disciplinar e salário, criando certo desgaste (SILVA FILHO, 2003, p. 3).

Outro ponto bastante debatido, que gera discórdia e desânimo entre os profissionais da área, é a lentidão, ou quase inércia no que diz respeito à ascensão profissional, neste caso específico, às promoções. Em média, um soldado, que representa a maior parte do efetivo existente na PMDF, leva 18 anos para ser promovido à graduação subsequente. Observa-se que além dos fatores apresentados acima, os policiais apresentam dificuldade de relacionamento interpessoal dentro do ambiente de trabalho; excesso de atividades dentro da corporação, quase sempre de não competência da pessoa, incluindo “perseguição” por não fazer em tempo recorde; dificuldades extras laborais, tais como: problemas conjugais (separação), problemas de doenças graves na família e/ou luto; problemas de relacionamento familiar; episódios traumáticos ocorridos entre infância e adolescência ou até mesmo na fase adulta que não foram bem elaborados; problemas financeiros graves; uso excessivo de substâncias etílicas e ilícitas; problemas de saúde consideráveis; problemas de ordem sexual, entre outros.

A realização e normas técnicas relativas á atividade dos policiais impedem sua realização profissional, pois os policiais não sabem se os presos foram condenados ou absolvidos, não sabem se as vítimas tiveram seus patrimônios foram ressarcidos ou não, situações estas que deixam o policial alheio aos resultados daquilo que produz. O policial trabalha com as limitações humanas, pois trabalha entre a crueldade e a bondade, o ódio e o amor, a vingança e o perdão, a punição e a impunidade, vivenciando a contradição da sociedade, e, no entanto, dependendo da existência dela. Sofre a influência perniciosa de substâncias químicas. Por conta dos altos níveis de estresse e adrenalina, resultantes das atividades policiais de risco, substâncias químicas são liberadas na corrente sanguínea, reduzindo a iminidade orgânica do policial.

Em decorrência desta vulnerabilidade, o policial torna-se alvo fácil de doenças que afetam sua saúde física: torções, gastrite, problemas de coluna e cardíacos, entre outros. Trabalha no pico do estresse, pois não pode recuar ou ter medo diante de situações-limite. Ao policial é facultado apenas lutar e enfrentar as situações de risco, chegando ao limite do esforço humano.
O policial deve cuidar e proteger, mas não tem quem o cuide e o proteja, pois não existe regulamentação na legislação em relação à segurança e saúde do servidor público. Sofrem as mesmas necessidades, os mesmos anseios e refletem os mesmos princípios e valores culturais da comunidade onde vivem. Os policiais costumam provir de camadas sociais de níveis baixo e médio.

São, portanto, pessoas que, muitas vezes, não tiveram oportunidades na vida e têm que priorizar o sustento de suas famílias, arcar com despesas médicas e domésticas e, geralmente, habitam em áreas de risco social. Entretanto, em sua profissão, são exigidos, em sua profissão, padrões de conduta disciplinares, conhecimentos de nível superior, comportamentos saudáveis e inteligentes, sem levar em consideração todos os aspectos econômicos já citados.

Com base nesses dados, levando em conta seu grande efetivo- números atuais apontam que o efetivo da PMDF é de 13.071 policiais e buscando minimizar as possíveis causas do afastamento do trabalho relacionadas a doenças mentais, a PMDF disponibiliza a todos os policiais militares e a seus dependentes legais um Centro de Assistência Social (CASO). O CASO foi fundado em 1994, porém seu funcionamento está amparado legalmente desde 27 de março de 2002, com a publicação do decreto nº 22.827, que tem como objetivo principal prestar assistência social ao pessoal da corporação e a seus dependentes.

Está, entre seus deveres, proporcionar aos associados um sistema de serviços, benefícios na política de segurança e bem estar social em: assistência e saúde; prestação de serviços educacionais; habitação e condições sanitárias; cultura, esporte, lazer, valorização humana, meio ambiente e outros. Contribui, ainda, com trabalho psicossocial, buscando atender necessidades afetivo-emocionais e psicológicas, com abordagem de cunho terapêutico, terapêutico holístico e socioeducativo.

Além de oferecer tratamento aos integrantes da corporação e a seus dependentes no que diz respeito às doenças de cunho emocional, este centro de referência atende dependentes químicos em geral, em um programa distinto, o Programa de Ajuda ao Dependente Químico (PRADEQ). Ao policial militar que procura tratamento espontaneamente, ou é enviado por seus respectivos comandantes a este centro de referência, é realizada uma triagem, onde são aplicados diversos testes psicológicos e atendimento individual com um profissional da área, para que haja uma base para os possíveis procedimentos a serem adotados.

O policial é enviado para um centro de recuperação conveniado, por meio de internação, caso seu estado emocional inspire cuidados maiores, como acompanhamento médico frequente. É facultado a eles, também, um encaminhamento para profissionais da rede particular. Aos demais policiais é oferecido um tratamento no Programa de Resgate da Auto Estima e Valorização da Vida (PRAEV-Vida). Este programa conta com uma equipe altamente especializada, composta por psiquiatras, psicólogos, pedagogos e músicos. São disponibilizadas atividades voltadas para um fim terapêutico: terapia em grupo, dinâmicas de grupo, psicoterapia individual, oficinas de cerâmica e de música, laborterapia e educação física.

Desde sua fundação até o mês de setembro de 2009, foram atendidos pelo Centro de Assistência Social aproximadamente 2300 policiais militares, além de diversos dependentes, que não entram nesta estatística.

Conclusão.

Analisando-se todos os aspectos relevantes, referentes ao rendimento profissional de trabalhadores adultos, nota-se que, não importa qual a atividade profissional desenvolvida por estes, caso a relação trabalhador-trabalho sofra interferências negativas, seu rendimento profissional será afetado. Ainda nesta linha de raciocínio, é observado que quanto mais adversas forem as condições de trabalho, como atividades que geram altos graus de ansiedade, riscos e que dificultam as mudanças necessárias no ambiente de trabalho, devido às suas características, como o ambiente Policial Militar, por exemplo, maior será a incidência de obtenção de sintomas depressivos ou semelhantes a estes.

A depressão tornou-se assunto comum entre as pessoas, em geral, entretanto muitas delas não sabem exatamente o conceito e, sobretudo, a importância deste assunto. A tristeza e depressão são vistas como sinônimos, porém não são. A primeira refere-se à resposta humana a algumas reações adversas. Todavia, a depressão clinica é um transtorno mental, diferente das respostas emocionais naturais aos acontecimentos indesejáveis e estressantes, e deve ser tratada como tal. Apesar de um notório avanço das pesquisas em relação a este tema, a depressão, devido à gravidade, recorrência e alto custo para o indivíduo e a sociedade, como qualquer condição médica importante, precisa ser diagnosticada e tratada apropriadamente, o que ainda não acontece.

Após esta pesquisa, conclui-se que a depressão é uma das doenças de cunho emocional em destaque, quando são analisadas as patologias que mais afastam os policiais militares de seus respectivos postos de trabalho. Nota-se uma alta prevalência de tais servidores afastados de suas atividades normais, situação esta que desencadeia problemas diversos para o próprio servidor, para a corporação como um todo e para a população do Distrito Federal. A Instituição sofre baixas significativas em seu efetivo, às vezes por longos períodos, o que desencadeia problemas administrativos. A população lamenta a falta de pessoal qualificado para exercer a atividade fim da Polícia Militar, o policiamento ostensivo.

Quanto maior o número de policiais afastados do serviço, maiores serão as consequências negativas. A questão da segurança pública no Brasil é comumente pensada de forma técnica, sem levar em conta a pessoa do policial. Para que seja minimizada essa dificuldade, é necessário buscar uma melhor qualidade de vida para os mesmos. Nota-se que a PMDF, em relação às co-irmãs, destaca-se neste sentido, pois existe um programa específico (PRAEV-VIDA), que auxilia o policial militar a tratar os sintomas da depressão, além de resgatar a auto-estima e valorizar a vida do mesmo, através de atendimento psicológico individual, terapias em grupo e atendimento médico frequente com psiquiatra. Neste ínterim, o presente trabalho acadêmico sugere à PMDF que divulgue entre os membros da Corporação o trabalho desenvolvido pelo CASO.

Fica evidente a qualidade do serviço prestado por esta unidade da PMDF, porém observa-se que grande parte dos integrantes da Instituição não conhece o trabalho desenvolvido por ela. Outra sugestão é que o programa PRAEV-VIDA passe a ser frequentado pelos policiais militares do Distrito Federal em um período determinado, como a cada dois anos, por exemplo, medida esta que agiria de forma preventiva no que diz respeito a obtenção de sintomas que poderiam afastar os policiais de seus postos de trabalho. O mais importante com estas circunstâncias é evidenciar o sofrimento vivido pelos policiais militares, que são frequentemente lembrados pela sociedade como “heróis”, que separa, equivocadamente, o ser humano do trabalhador, situação que veladamente tira de tais profissionais o direito básico de também serem acometidos por doenças.

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